Concurso da Câmara de Goiânia: Entenda por que secretaria vinculada ao TCM recomenda suspensão de parte da seleção
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Secretaria do TCM recomenda suspensão parcial do Concurso da Câmara de Goiânia
O concurso público da Câmara Municipal de Goiânia, realizado em março pelo Instituto Verbena, da Universidade Federal de Goiás (UFG), deve ser parcialmente suspenso imediatamente. Essa é a recomendação feita pela Secretaria de Controle Externo de Atos de Pessoal do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), em função da aprovação de um servidor público que trabalha para a banca organizadora.
A suspensão se refere apenas ao cargo de administrador, ao qual o servidor público concorreu. Para o secretário Vinicius Nascimento Santos, autor da recomendação, o caso aponta "indícios relevantes de violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa".
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"Ainda que não haja comprovação direta de acesso ao conteúdo das provas, a jurisprudência é firme no sentido de que a mera quebra da isonomia entre candidatos já é suficiente para macular a validade do concurso público, sendo desnecessária a demonstração de fraude efetiva", disse o secretário.
O parecer favorável à suspensão ainda será avaliado pelo conselheiro Humberto Aidar, relator do caso no TCM, a quem caberá a decisão sobre a suspensão ou não do concurso público.
O g1 solicitou ao Instituto Verbena e à Câmara Municipal de Goiânia um posicionamento sobre o entendimento da secretaria vinculada ao TCM, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. No início de abril, o instituto afirmou, por nota, que o servidor não participou da elaboração da prova para o cargo de administrador.
Resultado do concurso da Câmara de Goiânia mostra Luã Lírio de Souza Cruz aprovado em 1º lugar para o cargo de administrador, com salário de R$ 10.059,32
Reprodução/TV Anhanguera
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Entenda as suspeitas
Realizado no dia 15 de março, o concurso da Câmara Municipal contou com a participação de mais de 30 mil candidatos inscritos para a disputa de 622 vagas. O cargo de administrador, com salário de mais de R$ 10 mil, teve como primeiro colocado Luã Lírio de Souza, servidor público da UFG vinculado ao Instituto Verbena, que organizou o concurso.
Além de trabalhar na banca organizadora, Luã é casado com o guarda civil metropolitano Makes Paulo, que também já prestou serviços remunerados no Instituto Verbena. Segundo a denúncia formulada ao TCM, ele possui "ligação política documentada com o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo", o responsável por assinar o contrato de realização do concurso com o Instituto Verbena.
O g1 não conseguiu localizar Luã até a última atualização desta reportagem. O Instituto Verbena disse, no início de abril, que o próprio candidato comunicou, ainda em dezembro do ano passado, um possível conflito de interesses e solicitou o afastamento de todas as atividades relacionadas ao concurso. A instituição afirma que, a partir disso, bloqueou todos os acessos dele aos sistemas e arquivos do certame.
De acordo com elementos da denúncia, reproduzidos em relatório do TCM, embora estivesse cedido à Defensoria Pública da União (DPU) desde janeiro de 2025, Luã participou de um evento do instituto em Campina Grande, na Paraíba, cinco dias antes da prova.
Registro mostra Luã Lírio de Souza Cruz em evento representando o Instituto Verbena cinco dias antes da aplicação do concurso da Câmara de Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
Além disso, em novembro de 2025, quando o edital do concurso ainda estava sendo preparado, ele representou o instituto em outro evento, em Vitória, no Espírito Santo, ao lado da diretora executiva da banca.
"Consta ainda que ele participou de reuniões relacionadas à segurança e armazenamento das provas cerca de 31 dias antes de sua realização", afirmou Vinicius.
Os outros dois casos citados no parecer do secretário se referem a duas candidatas, que também tiveram vínculo profissional com o Instituto Verbena. Elas disputaram os cargos de analista de comunicação e revisor de texto, tendo sido aprovadas em 150º lugar e 6º lugar, respectivamente. Vinicius, no entanto, ressaltou que, apesar dos dois casos também exigirem apuração, eles não são tão relevantes como o de Luã.
"Embora tais situações devam ser objeto de apuração quanto à regularidade e à observância das normas editalícias, não se vislumbra, em princípio, influência direta e relevante no resultado final do certame, diferentemente do que se verifica em relação ao candidato classificado em 1º lugar", afirmou.
Ao recomendar a imediata suspensão parcial do concurso, o secretário solicitou que, antes disso, prestem esclarecimentos os seguintes envolvidos:
Romário Policarpo - presidente da Câmara Municipal de Goiânia;
Cassandra Arruda de Sousa Araújo - presidente da Comissão;
Claci Fátima Werick Rosso - diretora executiva do Instituto Verbena.
Além dos depoimentos dos envolvidos, também deverão ser fornecidos à secretaria do TCM documentos relacionados aos vínculos trabalhistas dos candidatos.
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