Enterro de goiana achada em floresta no Canadá traz alívio à família, diz primo: 'Respeito e humanidade'
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Despedida de jovem goiana que morreu no Canadá
Em meio à angústia vivida nos últimos dois anos sem notícias, o enterro do corpo da goiana Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, encontrada morta em uma área de floresta em Quebec, no Canadá, representou um gesto de respeito e humanidade que trouxe alívio à família, segundo o primo.
O advogado Luciano de Oliveira Carvalho, primo de Letícia, contou ao g1 que os gestos de gentileza e apoio de autoridades e amigos foram fundamentais para sustentar a família nos momentos mais difíceis.
“A repatriação do corpo da nossa querida prima Letícia não foi apenas um ato técnico, mas um verdadeiro movimento de cuidado, respeito e humanidade, que trouxe alívio ao coração da família”, disse o advogado.
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Natural de Goiânia, Letícia estava desaparecida desde 2023 e só teve o corpo encontrado em abril de 2024, por caçadores em Coaticook, uma área de floresta em Quebec, conforme informações da ONG Unidentified Human Remains Canada. Segundo a certidão de óbito emitida na província de Quebec, Letícia morreu em 15 de janeiro de 2024, e a causa foi apontada como hipotermia. A família passou cerca de dois anos sem notícias e só foi informada sobre a localização do corpo há um mês.
Rede de apoio fortaleceu a família
De acordo com Luciano, em meio à dor do desfecho, a família foi acolhida com o apoio de professores, amigos e pessoas próximas de Letícia.
“Tínhamos a certeza de que não estávamos sozinhos. Cada demonstração de afeto foi como um abraço que nos manteve de pé”, disse.
O advogado ressaltou ainda que a presença do corpo de Letícia transformou a despedida em um momento de amor, união e reverência à sua história.
“Contudo, Deus nos concedeu a oportunidade sagrada de velar, honrar e nos despedir da Letícia em família, em nossa terra”, destacou Luciano.
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Letícia Oliveira Alves foi enterrada no domingo (29), em Goiânia.
Arquivo/Honória Dietz
Busca encerrada após dois anos
De acordo com Honória Dietz de Oliveira, prima de Letícia, foi um milagre que o corpo tenha sido localizado e identificado, dada a dificuldade do local. Ela disse ainda que a própria família arcou com todos os custos do translado do corpo para o Brasil.
“Apesar de toda a tristeza, também sentimos alívio por encerrar esse período tão doloroso de buscas e angústia. Somos gratos a Deus e às autoridades do Brasil e do Canadá envolvidas neste processo de buscas, identificação, proteção e liberação para o traslado do corpo”, disse a jornalista.
Segundo Honória, o pai de Letícia, Jeremias Oliveira, morreu em março de 2025, aos 70 anos, sem saber o paradeiro da filha. O idoso morreu após complicações durante o tratamento de uma doença renal.
Antes de morrer, Jeremias havia autorizado a Interpol a buscar por Letícia e, mesmo internado na UTI, acompanhava a procura pela filha, orientando o andamento das buscas, segundo a família.
De acordo com Honória, Letícia também deixou uma filha de 12 anos.
Pai da goiana Letícia, encontrada morta no Canadá, morreu antes de saber o paradeiro da filha.
Arquivo Pessoal/Honória Dietz
Formação e trajetória acadêmica
Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestre em Ciências pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Segundo a prima Honória, ela também cursava doutorado na instituição.
"Letícia era extremamente inteligente, esportista e dedicada aos estudos. Sua pesquisa era voltada ao desenvolvimento de um combustível especial para aeronaves, com o objetivo de evitar explosões em caso de queda”, contou a prima.
De acordo com o irmão, Fabrício Alves de Oliveira, Letícia era uma pessoa estudiosa e dedicada a trabalhos voluntários. A pesquisadora chegou a interromper o doutorado no Instituto Tecnológico Aeronáutico (ITA) para se dedicar à igreja.
"A Letícia era uma pessoa muito estudiosa e aplicada no que fazia, sempre se dedicando a atividades esportivas e trabalho voluntários na sua fase jovem", afirmou Fabrício.
Desaparecimento e identificação
Letícia era natural de Goiânia, mas estava nos Estados Unidos quando desapareceu. Segundo familiares, a última informação que tiveram sobre Letícia foi uma conversa com ela pelas redes sociais em 2023.
No fim daquele ano, em dezembro, a família fez contato com Letícia pela última vez. Entretanto, a família contou que a amostra de DNA usada para a identificação foi coletada pela Polícia de Imigração dos EUA quando ela ficou detida entre janeiro e abril de 2024.
Letícia Oliveira Alves estava desaparecida desde 2023.
Arquivo Pessoal/Frederico Oliveira Alves
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